“Imagina só, se eu me preocupasse com o que toda essa gente pensa? Se ligasse para os olhares tortos na minha direção? Se me importasse com os sorrisos irônicos a minha volta? Imagina, só imagina mesmo. Porque não vai sair da sua imaginação. Eu não me importo com nada disso, muito menos com o que você vá imaginar.”
“Do que eu tenho medo? Deixa eu ver. Sei lá, de repente de chegar um dia e ver que foi tudo em vão, que não valeu a pena, cada gesto ou cada ação, cada investimento e concessão. Sabe aquela cena clássica no restaurante? Os dois jantando em silêncio, a mulher olhando para os lados atrás de casais iniciantes, mais felizes e vivazes que o relacionamento dela, o homem com o olhar atrás de um traseiro mais durinho. Eu tenho medo de um dia acordar e sentir que acabou.”
“Ela o amava. Ele a amava também. E ainda que essa coisa, o amor, fosse complicada demais para compreender e detalhar nas maneiras tortuosas como acontece, naquele momento em que acontecia dentro do sonho, era simples. Boa, fácil, assim era. Ela gostava de estar com ele, ele gostava de estar com ela. Isso era tudo.”
“Os marinheiros têm o costume de tatuar uma âncora, alguns optam por fazer isso no pulso, onde é mais visível. Consegue ver o porque fazem isso? Para lembrarem da existência de um lugar seguro em que sempre poderão aportar. Ela representa a segurança e os faz ter a esperança a cada problema no mar, pois nunca irá os deixar a deriva. É por isso que toda vez que me sinto insegura ou tenho medo, eu te olho. Aparentemente é uma pessoa, mas se olhar com os meus olhos verás uma âncora, a minha âncora, a única coisa que me mantém segura.”